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quarta-feira, 27 de abril de 2011

Marcas

Lágrimas ao chão

Nem ao menos minhas são

E na poltrona ainda está marcada

Aquela tua traseira suada


Deixaste na minha sala

Teu cheiro, teu fedor

Tua angústia, teu orgulho

E, pior ainda, teu amor


Espero que aqui

Não queiras voltar

Pois lugar não mais há

Não para te amar

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Trevas

Vinde a mim, coração sofrido

Banha-me com suas chamas de rancor

Quero adentrar essas trevas

Preciso sentir o ardor


Queima minha alma

Não mostra compaixão

Meu corpo não encontra a calma

Enquanto há restos pelo chão


E quando tudo que sobrar

Estiver espalhado ao ar

Finalmente encontrarei

A paz que tanto almejei

sábado, 9 de abril de 2011

Traição

Sinto a mente imersa em escuridão.

Percebo que não é apenas a mente, mas também meu corpo. Olho em volta e percebo que me encontro no fundo de um poço. Olho para cima, fechado. Sinto faltar-me o ar. Tento inspirar com mais força, inútil. É como se as partículas em suspensão naquele ar parado tomassem conta de meus pulmões sedentos por oxigênio.

Preciso sair. A angústia toma conta de mim. Começo a escalar.

Quanto tempo estive ali, naquela água rasa, parada e imunda? Não que eu conseguisse enxergar muito para definir o estado do local, mas fedia. Coloco a mão na testa como que instintivamente e percebo que há sangue escorrendo. Minha esperança é um pequeno feixe de luz que adentra o poço sutilmente através de um pequenino pedaço não coberto lá em cima. A escalada vai ficando mais árdua. As pedras são escorregadias e meus músculos já começam a doer. Esforço-me ao máximo enquanto subo, tentando não cair. Não sei quantos metros já subi e tenho medo de olhar para baixo. Certamente minha queda significaria minha morte, pois não havia água suficiente para amortecer o choque do meu corpo com a superfície de modo que eu continuasse viva.

Já posso sentir o ar mais leve. Escuto vozes – ao longe – vindas de fora. Finalmente! Quem sabe eu devesse ter gritado antes, em busca de ajuda. No entanto, essa sou eu, sempre tentando resolver tudo sozinha. Sou refém do meu orgulho.

Abro a boca, mas antes de conseguir emitir qualquer som, presto atenção no que as vozes distantes dizem.

“Acho que já morreu, não fez um barulho sequer até agora”.

Voz masculina, levemente familiar. Quem?

“Vamos embora logo, ninguém virá até aqui de qualquer maneira”.

Voz feminina, também familiar. Por que não consigo reconhecê-las?

Escuto o som da ignição de um carro. Conheço esse som! É do carro do meu namorado! Jamais poderia esquecer. Sim! A voz era do meu namorado! Mas e a outra? Procuro um pouco mais fundo na memória. Minha cabeça dói. Reconheço, é dela, minha melhor amiga.

“Por quê?” pergunto a mim mesma.

Tamanha minha decepção, meus músculos, antes rígidos, agora se amolecem. A cabeça pesa. Pernas e braços cedem.

Caí.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Desconsolo

Chorou crente que teria minha compaixão.

Esqueceu-se que meu coração é pedra.

Desculpou-se esperando meu perdão.

Esqueceu-se que minha alma é gelo.

Gritou em busca do meu consolo.

Esqueceu-se que desconheço a agonia.

Virou-se com esperança cega de que eu lhe tomasse pelo braço e dissesse que tudo ficará bem.

Esqueceu-se que desconheço o carinho.

Foi embora querendo que eu fosse atrás.

Esqueceu-se – novamente – que meu coração é pedra e disso não passará.

Pedaços

Olho em volta, nada

Nada além do teu olhar

Que me faz sorrir

Delirar


Pensas que estou louca

Se louca estou, é de amor

Preciso de ti aqui

Preciso do teu calor


Sinto queimando o desejo

A vontade de te ver

Quero tanto o teu beijo

Não posso me conter


Quando contigo estou

Sinto-me inteira, completa

Mas quando te vais, me quebro

Alma despedaçada, poeta

Perdida

Andei tanto que já nem sentia mais as pernas. Andei sem rumo, sem motivo. Tudo que eu precisava era de um tempo para esquecer-me de minha própria existência. Era tarde, as luzes das ruas estavam acesas. No entanto, as das casas já não mais. Ainda assim, sentia como se olhos ocultos naquela penumbra estivessem a espiar-me repletos de julgamento. “O que faria uma criança sozinha na rua à uma hora dessas?” era o que se perguntavam. Oras! Criança? Sei que adulta não sou, mas chamar-me de criança já não me parece mais tão adequado. Ainda desconheço muito sobre a vida, porém sei de coisas que crianças não deveriam saber. Isso faz de mim mais adulta? Afinal, desde quando ser adulto é algo bom? Por que as crianças querem crescer tão depressa? Olhando para trás vejo como seria bom jamais ter passado dos 10 anos de idade. Ah! Doce inocência. Queria eu jamais ter-te abandonado. Peço perdão a mim mesma, deveria ter acabado com tudo antes de começar a enxergar verdadeiramente o mundo. Ele é nojento.